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Arroios – Um Lugar de Sonhos

 

Ar Magazine nº9 entrevista “O SONHO DE JOÃO DOS SANTOS”

Considerado o criador da moderna Saúde Mental Infantil em Portugal, diz-se da obra de João dos Santos que é inseparável da vida e a vida, essa, começou em Arroios, onde nasceu e viveu, na zona dos Anjos. Fomos ouvir os sonhos deste homem pela voz de dois dos seus filhos: Luís Grijó dos Santos e Paula Grijó dos Santos Lobo.

Clique nas seguintes ligações para ver e ouvir a gravação desta entrevista ou para ler a entrevista na revista Ar Magazine nº9.


Arroios TV – Parte 01

Arroios TV – Parte 02

Ar Magazine nº9

 


 

Proposta de Lei n.º 34/XIII – Definição de ATO MÉDICO

O XXI Governo Constitucional, no seu programa para a saúde, estabelece como prioridades aperfeiçoar a gestão dos recursos humanos e a motivação dos profissionais de saúde, apostando em novos modelos de cooperação entre profissionais de saúde, no que respeita à repartição de competências e responsabilidades e melhorar a qualidade dos cuidados de saúde, apostando em modelos de governação da saúde baseados na melhoria contínua da qualidade de garantia da segurança do doente… (Siga esta LIGAÇÃO para aceder ao documento de Proposta de Lei n.º 34/XIII.).

 Existe actualmente uma proposta de diálogo relativo à formulação do Artigo 5 desta proposta de lei, em que se define o ATO MÉDICO.
 
 


 

Dra. Guida Faria recebeu as insígnias de Grande-Oficial da Ordem do Mérito.

 
  

 
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Presidente da República Portuguesa Marcelo Rebelo de Sousa, visitou a Fundação LIGA, para presidir à Sessão de Encerramento das Comemorações do Sexagésimo Aniversário no dia 23 de Novembro de 2016.

 
  

 
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“Príncipes da Medicina”

A vida e obra de alguns dos mais fascinantes e inspiradores médicos da História

de Mário Cordeiro

Príncipes da Medicina A vida e obra de alguns dos mais fascinantes e inspiradores médicos da História. Na medicina sempre existiram pessoas que se dedicaram ao próximo de forma abnegada, sem outro desejo que não o de melhorar a sua arte, dando apoio nas horas mais terríveis de qualquer ser humano, como a falta de saúde e o sofrimento físico, psicológico e social. Entre este incontável número de pessoas extraordinárias, sobressaíram algumas que adicionaram à arte médica outras faces do prisma complexo que é o ser humano. E que foram, para além disso, mestres na pintura, escultura, poesia, música, literatura, política, filosofia, história ou na defesa intransigente e corajosa dos direitos humanos. São verdadeiros príncipes, que representam exemplos a analisar, admirar e seguir. Neste livro, Mário Cordeiro conta o percurso de vida de alguns destes Príncipes da Medicina desde a Antiguidade até aos nossos dias. Um dos capítulos deste livro é dedicado a João dos Santos.

Este livro está à venda nesta página da Wook.
 


 

“Histórias de mulheres” é finalista da 58º edição do Prêmio Jabuti

historias-de-mulheres-capa-do-livroO   livro “Histórias de mulheres: amor, violência e educação”, organizado por Maria Juraci Maia Cavalcante, Patrícia Helena Carvalho Holanda e Zuleide Fernandes de Queiroz, é finalista na categoria “Educação e Pedagogia” da 58ª edição do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, considerado o mais importante prêmio do livro brasileiro.

A obra, lançada em 2015 pelas Edições UFC, conta, entre outros, com artigos da Professora Patrícia Helena Carvalho Holanda e do Professor Pedro Parrot Morato “A Mulher e a Família à Luz do Referencial Santiano na Perspectiva Comparada Brasil-Portugal”, e da Dra Clara Castilho “A Mãe e a Escola como Promotores de Inclusão Social das Crianças com Necessidades Especiais na Abordagem de João dos Santos”.

Maria Juraci Maia Cavalcante e Patrícia Helena Carvalho Holanda são professoras da Faculdade de Educação da UFC. A obra pode ser adquirida na Livraria da Universidade Federal do Ceará (área 1 do Centro de Humanidades – Av. da Universidade, 2683, Benfica).

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 A Universidade Lusófona atribui o título de Doutor Honoris Causa ao Professor António Manuel Seixas Sampaio da Nóvoa

A Cerimónia de Investidura do título Doutor Honoris Causa decorreu no Auditório Agostinho da Silva, do dia 25 de Outubro, no Campo Grande, em Lisboa. [Continuar a Ler]
 
 
 
 


 

ifce-no-arPrograma IFCE no Ar, Radio Universitária

Entrevista sobre o andamento do curso à distância “Introdução ao Pensamento de João dos Santos”

Entrevista gravada com a coordenadora do curso “Introdução ao Pensamento de João dos Santos”, Professora Patrícia Holanda da Linha de História da Educação Comparada da UFC (Universidade Federal do Ceará), com o Doutor Luís Grijó dos Santos (filho de João dos Santos), e a coordenadora pedagógica do curso Professora Ana Cláudia Uchôa Araújo da Directoria da Educação à Distancia do IFCE (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará). A entrevista foi realizada pelo jornalista Hugo Bispo do Programa IFCE no Ar em 3 de Novembro de 2016.

Para ouvir a gravação desta entrevista clique nesta ligação.
 


 

Maria Eugenia 2 SMALL

Homenagem a Patrícia Carvalho Holanda e Maria Juraci Cavalcante

Professora Doutora Maria Eugénia Carvalho e Branco
Professora de filosofia e psicologia do ensino secundário. Aposentada. Licenciada em Filosofia e em Teologia. Doutora em Educação
22 de Julho de 2015

Querida Professora Doutora Patrícia Helena Carvalho Holanda [1]

Como estive presente nesse 14º Congresso de História da Educação do Ceará! Congresso tão artisticamente representado pelo cartaz com a figura da Dona Ciça do Barro Cru (da autoria do cineasta Rosemberg Cariry) como se de um símbolo junguiano se tratasse a convocar a interioridade e o regaço da anima, lugar por excelência de acolhimento de todo o educador.

Lembrei-me de quanto tinha aprendido e reflectido com os magníficos Textos que a Patrícia Helena Holanda já produziu e pronunciou em congressos sobre João dos Santos, e com os magníficos Textos que, em Congressos anteriores, também produziu a Professora Doutora Maria Juraci Maia Cavalcante [2]. Textos já publicados pelas Edições UFC, que integram trabalhos de muitos outros notáveis investigadores dessa Universidade. É à Professora Titular da UFC, Juraci Maia Cavalcante que se deve a introdução no Brasil de trabalhos de investigação, produzidos e publicados em Portugal, sobre a Vida, o Pensamento e a Obra de João dos Santos.

A generosa atenção que tem merecido o estudo de João dos Santos por parte da prestigiada Universidade Federal do Ceará, nos seus Congressos sobre HISTORIA DA EDUCAÇÃO COMPARADA, nunca pode ser suficientemente encarecida por quantos se dedicam a investigar e a divulgar o Pensamento, a Obra e a prática clínica e psicopedagógica deste psiquiatra e psicanalista que introduziu em Portugal a Saúde Mental Infantil moderna, para ele indissociavelmente unida à problemática da Educação.

É com vivo reconhecimento e sentida emoção que nós, portugueses, constatamos que a internacionalização de João dos Santos foi Obra deste egrégio e maravilhoso País, o Brasil, que João dos Santos tanto amou. No afecto profundo que o caracterizava, João dos Santos acolheu retribuindo a amizade inestimável que lhe dedicou Jorge Amado e sua mulher Zelia Gattai, amizade selada na correspondência trocada e na hospitalidade que sempre encontrou em casa deste ilustre casal. O filho de João dos Santos, Professor Doutor Luís Grijó dos Santos, ainda hoje recorda que foi a admiração e a amizade que seu pai nutria por Jorge Amado, e pelo Brasil, que o abriu para o gosto da leitura dos livros deste Autor maior brasileiro.

Com a sua “FALA PARA A APRESENTAÇÃO DO LIVRO NEUROSE DE ANGÚSTIA DO JOÃO DOS SANTOS”, a Patrícia Holanda enriqueceu, com a sua reflexão e vivência, a mensagem santiana. Com rigor científico e profundidade, alargou essa mensagem permitindo que o insight que ela contém desabroche na actualidade e ilumine os novos desafios que se colocam a pais, educadores e terapeutas. Se João dos Santos estivesse na assistência, a ouvir a comunicação da Patrícia Holanda, como ficaria emocionado e agradecido! Quem estuda e investiga está ciente de que os grandes cientistas, artistas e sábios anteviram que as suas obras, prenhes no solo fundador das suas criações, frutificariam sempre em algo de mais rico e actualizado. Não afirmou João dos Santos que «o que em cada época se sabe é para se ultrapassar»?

A Patrícia, com a sua criativa e profunda reflexão sobre o que João dos Santos pensou, escreveu e pôs em prática, deu vida a esta afirmação santiana. E ao fazê-lo, a partir da sua experiência como educadora e psicoterapeuta, como leitora atenta das demandas que seus educandos e pacientes hoje lhe colocam, alargou os horizontes vislumbrados na Obra de João dos Santos projectando para o futuro o que de insight fecundo nela há a desvendar. Como a Vida, Pensamento e Obra de João dos Santos encontrou eco luminoso na reflexão e nos escritos de Patrícia Holanda! E também na reflexão e nos escritos de Juraci Maia Cavalcante! Reflexão produzida por estas investigadoras da maior competência académica e humana.

Obrigada, Patrícia pelos estudos maravilhosos e apaixonados que tem vindo a produzir sobre a Obra de João dos Santos, estudos agora coroados com a comunicação do seu Texto intitulado FALA PARA A APRESENTAÇÃO DO LIVRO NEUROSE DE ANGÚSTIA DO JOÃO DOS SANTOS.

Acalentando o sonho que toda a vida perseguiu João dos Santos, também a Patrícia luta, com a sua investigação e prática pedagógica e terapêutica, para tornar mais feliz a vida das pessoas: «da criança que agora o é, e da criança que, na mudança renovada a partir dos alicerces primevos, continua a habitar em cada um de nós». Sonho que, para se tornar realidade, urge ancorar-se, como João dos Santos lembrou, na consciência criticamente reflectida de uma evolução permanente da História da Família, da Criança, da Educação, da Sociedade, das Instituições e da Cultura. Objecto que constitui o centro dos estudos, tão academicamente especializados, da Professora Doutora Patrícia Holanda.

Com a minha grande admiração e gratidão,

Maria Eugénia Carvalho e Branco

[1] Professora Associada da UFC (Universidade Federal do Ceará). Psicóloga, mestre e doutora em Educação pela UFC e pós-doutora na área de concentração de Desenvolvimento Profissional Docente pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UNB. Professora de Psicologia da Educação do Departamento de Fundamentos da Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFC, vinculada à linha de pesquisa História da Educação Comparada. Na Linha de Pesquisa História da Educação Comparada vem desenvolvendo uma investigação intitulada LAÇOS FAMILIARES, CONSTITUIÇÃO DE SUJEITOS, POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO E SAÚDE, ESPAÇOS ESCOLARES E SOCIAIS, SEGUNDO A ABORDAGEM DE JOAO DOS SANTOS – UM ESTUDO EM PERSPECTIVA HISTÓRICO COMPARADA – BRASIL E PORTUGAL.

[2] Professora Titular da UFC (Universidade federal do Ceará). Doutora em Ciências Sociais e Económicas pela Universidade de Oldenburg – Alemanha, com Pós-Doutorado em História das Políticas Educacionais (Universidade de Colónia-Alemanha) e em História da Educação (Universidade de Lisboa). Coordenadora da Linha de História da Educação Comparada/Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira-UFC. Pesquisadora do CNPQ.


A Neurose de Angustia - Joao dos Santos - COVERTítulo – A Neurose de Angústia
Autor – João dos Santos
Edição eBook para Kindle, Junho de 2015
ISBN 978-0-9932730-0-1
Idioma – Português

Acaba de ser publicada a edição eBook para Kindle do livro “A Neurose de Angústia” que já está à venda em todos os sites internacionais da Amazon. Para mais informações e para aceder ao seu site da Amazon clique numa das seguintes ligações:  Amazon.ca,  Amazon.co.jp,  Amazon.co.uk,  Amazon.com,  Amazon.com.au,  Amazon.com.br,  Amazon.com.mx,  Amazon.de,  Amazon.es,  Amazon.fr,  Amazon.it,  Amazon.nl

Apresentação da edição eBook do livro “A Neurose de Angústia”de João dos Santos pela Professora Doutora Patrícia Helena Carvalho Holanda
XIV Congresso de História da Educação do Ceará – “Histórias de Mulheres: amor, violência e educação”, Campus da Universidade Regional do Cariri, Ceará
3 de Junho de 2015

Patricia Holanda SMALLO destino de certos homens parece se encontrar vinculado, de forma indelével, ao lugar e ao meio social onde viveu. O destino de João dos Santos – membro notável da Sociedade Portuguesa de Psicanálise –  está interligado ao campo da Saúde Mental Infantil de Lisboa, ao Movimento da Escola Moderna, à Liga Portuguesa de Deficientes Motores, à Associação de Educação pela Arte, à Liga Portuguesa de Higiene Mental, dentre outras iniciativas relevantes. Como sabemos, ele foi o introdutor da Psiquiatria Infantil em Portugal. A sua trajetória de vida, nos coloca, diante do destino de um líder, do criador de um referencial teórico e de uma instituição, que guardaram de forma respeitosa as ideias por ele formuladas. Nesse sentido, não é possível constituir uma noção precisa acerca da sua influência e múltipla presença, na história da Psiquiatria em Portugal. Há homens que ousam pensar o diferente, João dos Santos está entre eles. A prova disso está inscrita na obra que ele nos deixou como legado, ao lado da criação de um Centro de Pedagogia Experimental – A Casa da Praia – que depende do Centro de Saúde Mental Infantil, visto aqui como marco de uma das etapas mais importante da saúde mental portuguesa.

É bastante curioso pensar que, uma importante mudança de rota bate à porta de João dos Santos, no momento em que sua prática profissional se encontra na posição de divergência, em relação às práticas psiquiátricas usadas em Portugal, as quais, ao invés de restaurar equilíbrios perdidos nessas crianças e adolescentes, contribuíam para o agravamento dos seus possíveis distúrbios. Tal atitude acabou por levá-lo ao exilio na França (1946-1950), em virtude de ter contrariado os interesses da ditadura salazarista, na área de saúde mental. Esse exílio lhe possibilitou um contato mais estreito com um novo círculo de relações, composto por intelectuais da área de Psicologia e Psicanálise, que eram adeptos das ideias de Wallon, Ajuriaguerra, Jean Delay, Lacan, dentre outros.

Desse modo, estamos diante de um dos psicanalistas mais notáveis dos últimos tempos e que mudou em Portugal o entendimento acerca da Psiquiatria Infantil. Ressaltemos que ele elabora a sua teoria, com o traço da originalidade, sendo fiel ao espírito do surgimento da Psicanálise, trazendo-a para dialogar com tradições então cristalizadas da Medicina, em especial, no ramo da Psiquiatria, ao propor uma nova abordagem de tratamento para as pessoas então rotuladas pela sociedade, como doentes mentais.

Assim como a teoria psicanalítica, o referencial santiano não foi elaborado no âmbito acadêmico.  Sendo tão urgente quanto aquela, este último contém uma orientação advinda do lugar do psicanalista que formula suas ideias no consultório, de onde é chamado para visitar escolas. Esta característica de sua ação médica pode ser observada na obra intitulada, A Neurose de Angústia, que a princípio foi escrita em francês por João dos Santos, texto que serviu de base à sua conferência, no 44º Congresso de Psicanalista de Língua Francesa, onde deveria apresentar o relatório, hoje oferecido em eBook, traduzido pela Dra. Maria Clara Castilho, psicóloga e colaboradora do nosso psicanalista de Lisboa.

O prefácio feito pelo Prof. Dr. Carlos Amaral Dias, da Sociedade Portuguesa de Psicanálise e do Centro de Profilaxia da Droga de Coimbra, que foi relator do referido Congresso, por sugestão do próprio João dos Santos, que se encontrava impossibilitado de comparecer àquele evento, devido a uma enfermidade de que fora acometido. O referido colega externa seu reconhecimento para com João dos Santos, ao aludir à sua impressão sobre a obra do mestre e a sua reconhecida competência, conforme podemos ler abaixo.

Pude perceber através do trabalho de João dos Santos não só a qualidade destrutiva da pele mental, presente na emoção transbordante da neurose de angústia, como também o fundamento metapsicológico do pânico e da sua angústia de morte. O leitor, tal como eu, irá ficar impressionado pela clareza dos exemplos clínicos, e, sobretudo, pela função calmante diríamos hoje transformadora, das ansiedades desruptivas da função continente do self, pela presença empática do analista que foi João dos Santos (p. 18)

O Dr. Carlos Amaral Dias apreende muito bem o espírito santiano, ao estudar a neurose de angústia, vista como um tipo particular de psiconeurose.  Neste texto, João dos Santos vai pontuando a teoria psicanalítica e os casos clínicos apresentados por ele, no decorrer da obra, onde fica patente a sua originalidade de pensar, ainda que comece sua obra, sob a influência das ideias de Freud [1]. Reitera seu interesse pelo tema em foco, no início do livro, afirmando que, “mais de quarenta anos passaram desde o início da minha carreira e é talvez sobre o tema neurose de angústia que acumulei mais dados clínicos.” (p.19).

Nos primeiros capítulos, ele situa o pensamento freudiano, destacando que a neurose provoca desordem no comportamento. Ele considera que esta não é constitucional, afirma que o sujeito está consciente do seu estado e deseja se curar. Salienta apenas que a sua manifestação ocorre, através de atitudes e afetos que contrariam a lógica ou a norma. Ele sabe que para Freud, todos esses sintomas são provenientes de complexos sexuais que remontam à infância. Nesse sentido, tanto para Freud, quanto para João dos Santos, as neuroses são conflitos intrapsíquicos e estão enraizadas na história infantil do sujeito, assertiva que pode ser observada em várias passagens, da obra, dentre as quais, destaco uma passagem do capitulo 5.

…nesses sujeitos susceptíveis de serem atingidos por neurose de angústia, existe uma depressão latente, consequência de certos conflitos não ultrapassados, que produzem um bloqueio da tensão conflitual de onde resulta, de acordo com as primeiras hipóteses de Freud, uma acumulação de energia libidinal, que associada a diversos fatores, faz surgir a crise de angústia. (…) Assim, creio que há uma estrutura favorável ao desencadeamento desta neurose; um caráter neurótico ligado a uma neurose da criança não resolvida. (p.78)

Ao fazer isso, ele evidencia o sentido dos sintomas dos seus pacientes, perante a Psicanálise. Esta representa uma espécie de campo de sua movimentação intelectual sem apegar-se, de modo restrito, à conceituação do próprio Freud. Isso pode ser comprovado, quando Santos defende, no capítulo VII, intitulado, Neurose de Angústia como este distúrbio se manifesta na criança, nos seguintes termos

Da mesma forma que Lebovici afirmou que a <> (1980), poder-se-ia dizer que a neurose da criança é a neurose de angústia. Isto significa que, na criança, a angústia livre é muitas vezes observável. Gostaria, no entanto, de acrescentar que os quadros clínicos observados na criança (aliás, muitos dos sintomas de crise de desenvolvimento são também dominados pela angústia) são observados em crianças precoces, tanto do ponto de vista afetivo, quanto intelectual. (p. 91)

Nesse sentido, ao analisar a neurose de angústia, ele toma a obra de Freud como ponto de partida, ao aceitar a definição de que a angústia, em geral, manifesta-se como expectativa inquieta e opressiva, manifestação do receio de que alguma coisa inesperada aconteça; numa tensão difusa, que gera o medo, o qual se configura, muitas vezes, sem nome. Com base neste modelo analítico, João dos Santos, demonstra aos seus leitores, como ele próprio desenvolve este conceito na sua clínica, derivando-o e aplicando-o, conforme a especificidade dos casos que acompanhou, o que pode ser, magistralmente, observado, no caso de João, um menino de 9 anos, muito evoluído na escola e, culturalmente, conforme podemos ver a seguir:

Uma noite, começa a queixar-se de perturbações respiratórias, estando a sua respiração objetivamente perturbada e manifestando outros . Quando alguns dias depois, os seus pais me levaram o João contaram-me que quatro ou cinco dias antes da crise o rapaz e a mãe ficaram à espera que o pai, um médico, voltasse de uma chamada noturna de emergência. O pai, então, contou que tinha sido alguém que, por acidente, estava a asfixiar devido a um corpo estranho na garganta. Como nos adultos, há sempre um acontecimento sugestivo na origem da perturbação. Seguindo-se à primeira crise, a criança entrou estado de angústia. O tratamento mostrou-me que a criança desde há muito, estava impressionada com o que descobrira sobre as relações sexuais dos pais; que estava muito ligado à mãe e que tentava, sem sucesso, seduzir algumas colegas na escola (p.91-92)

O caso de João evidencia um aspecto peculiar de suas manifestações psíquicas, destacado por Freud e João dos Santos: a desproporção entre a intensidade da angústia e seu objeto. Pode-se observar nesse caso, que a atitude de expectativa invadiu a criança, dificultando a ela o dedicar-se às suas ocupações. Isso pode ser comprovado na descrição de João dos Santos sobre o caso em foco, ao referir-se à fobia escolar desenvolvida pela criança no decorrer do tratamento, onde foi feita uma análise dos seus sonhos e pesadelos. Observa-se, ainda, que ela a “neurose de angústia” vem acompanhada de um quadro de desorientação e de sentimentos de impotência.

Desse modo, João dos Santos vai pontuando o seu interesse pela criança, mostrando-se fiel ao espirito freudiano de que a função da análise de criança seria menos de analisar e mais de favorecer o autocontrole do desenvolvimento psíquico de crianças pequenas, baseado no que o tratamento de adultos lhe ensinara.

João dos Santos deixa claro o objeto de estudo da sua obra – a psicopatologia ou o comportamento anormal – tema em parte esquecido pelas demais escolas de pensamento psicológico, para o qual ele adota como principal estratégia a observação clínica. Vale destacar que a posição empática assumida por ele em relação aos seus pacientes denota o seu profundo conhecimento do sofrimento humano, ao ter conhecimento que os neuróticos, muitas vezes, se encontravam fracassados em duas frentes: 1. A frente libidinal – quando a descarga do instinto sexual está entravada; 2. A frente da vida social – na qual o sujeito participa de forma restritiva, deformada dolorosa. Ele percebia, claramente, o quanto o neurótico vive, muitas vezes, mal, esbarrando em muitas limitações à expressão das suas possibilidades; sentindo-se bloqueado, parcialmente, na expressão da sua energia.

Chego ao fim desta apresentação, anunciando o meu propósito, assim como do grupo de pesquisa que integro, de favorecer a divulgação da obra santiana no Brasil, fazendo um convite para todos que queiram usufruir do inestimável contributo de João dos Santos, no âmbito da Psicanálise, inclusive, em sua interface com a área de Educação, já que para ele, o desenvolvimento infantil está a cargo de inúmeras instituições, dentre as quais, figuram a família e a escola, espaços sociais onde emerge a criança com distúrbios de natureza afetiva e cognitiva. Por tudo isso, considero que a obra de João dos Santos nos coloca diante de sua excepcional personalidade, pelo menos suficientemente original, sensível e radiante, por adotar e promover uma atitude de vida, que abriga um psicanalista disposto a romper com os excessos da Psicanálise, de um certo imperialismo da psiquiatra e dos inconvenientes de uma educação impessoal, desumanizada e burocrática.

[1] “Freud estudou a angústia em dois momentos diferentes de sua obra. Na primeira formulação, a angústia seria consequente a repressão, o que provocaria uma libido acumulada que funcionaria de uma maneira tóxica no organismo. A partir de uma monografia, Inibições, sintomas e angústia (1926) ele conceituou de forma inversa, ou seja, é a repressão  que se processa  como uma forma de defesa contra a ameaça de irrupção da angústia, mais especificamente, a angústia de castração.” (Zimerman, 1999, p. 198)

Patrícia Helena Carvalho Holanda

3 de Junho de 2015

Fotos lançamento 8 eBook


Joao dos Santos - um caminho diferente na saude mental“João dos Santos, um caminho diferente na saúde mental”

Trabalho de métodos qualitativos de Leonor Moreira Rato, supervisado pelo Professor Doutor Miguel Nunes de Freitas do ISPA – Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida. Inclui a transcrição de uma entrevista feita à Professora Doutora Maria Eugénia Carvalho e Branco por Leonor Moreira Rato.

Resumo

“Falar ou escrever de João dos Santos não é tarefa difícil para aqueles que com ele conviveram e acompanharam uma vez que João dos Santos era um poço inesgotável de conhecimentos, bem assim como um excelente contador de histórias. Estas tinham sempre um sabor ao seu sentido de vida, revelaram discretamente o prazer com que fazia as coisas e a simplicidade como abordava situações por vezes consideradas complexas “ (Costa, João; 1991).

João dos Santos foi médico, psicanalista, pedagogo, filósofo e artista. Facetas diversas reunidas, numa só pessoa, de forma uníssona e harmoniosa na sua forma de ser, pensar e agir. Consonância interior de que nos dá testemunho, quando afirma que a arte de amar, educar, de curar e de criar são uma e a mesma coisa. (Carvalho e Branco,1999)

Este trabalho não conseguirá senão abarcar uma ínfima parte do todo o seu trabalho e percurso de vida, mas dar sobretudo testemunho, através da visão de Maria Eugénia Carvalho e Branco- umas das pioneiras do estudo da sua vida e obra, bem como grande defensora da ideologia – sobre o seu enorme contributo para a questão da saúde mental em Portugal.

Seriam necessários, muitos dias, muitos anos, muitas folhas e palavras para escrever tudo aquilo que João dos Santos realizou ao longo de toda a sua vida, tendo optado por privilegiar os marcos mais importantes do seu percurso e os aspetos mais relevantes da revolução que o seu trabalho representou na saúde mental infantil portuguesa.

Este trabalho tem, deste modo, como principal objetivo responder à questão de investigação- Afinal de quem se trata? O que de diferente trouxe à saúde mental portuguesa?


RTP FORA da CAIXA - logotipo MEDIUM“A Herança de João dos Santos”

O programa FORA da CAIXA – RTP Informação, transmitiu no dia 10 de Abril 2015 o episódio intitulado “A Herança de João dos Santos”.
Clique aqui ou na imagem para aceder ao episódio “A Herança de João dos Santos”.

RTP FORA da CAIXA - A Herança de Joao dos Santos LARGE


Patricia Holanda MEDIUMPedro Morato MEDIUMA Universidade Federal do Ceará e a Universidade de Lisboa “encontram-se” em estudos sobre a importância do desenvolvimento humano, baseados na conexão Educação e Saúde, sob inspiração da abordagem de João dos Santos

A adoção da temática de estudo Família, Educação e Sexualidade, articulada com a obra de João dos Santos (1913-1987) por investigadoras da Linha de Pesquisa História da Educação Comparada, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), tem conduzido ao estabelecimento de vínculo mais estreito entre essa universidade e a Universidade de Lisboa (UL), oferecendo a possibilidade de uma reflexão mais alargada e aprofundada da abordagem daquele expoente psiquiatra e psicanalista português, ainda pouco conhecido no Brasil. Tal iniciativa favorece o estabelecimento de vínculo internacional entre as duas universidades, delineado nos interesses comuns de pesquisadores das duas instituições.

Essa aproximação foi fortalecida, através dos estudos aprofundados da Profa. Dra. Maria Eugénia Carvalho e Branco, em particular no seu trabalho de doutoramento na Universidade do Minho em 2007, e depois por meio das comemorações em 2013, do Centenário do nascimento de João dos Santos. Na actualidade podemos ainda contar ainda com a página web que disponibiliza inúmeras publicações referentes à sua biografia e bibliografia.

Aprofundar a obra de João dos Santos apresenta-se como fundamento teórico-metodológico de interesse em nossas pesquisas. Pois, sabemos que ele não fez apenas uma nova leitura da psicanálise, mas criou um consistente referencial de análise para melhor compreensão do ser humano, no que respeita às suas vicissitudes subjetivas e potencialidades sociais. Acreditamos que a iniciativa de estudar em conjunto a contribuição de João dos Santos reveste-se de enorme significado para a divulgação da sua obra no Brasil. Nesse sentido, está em cuidadosa gestação um núcleo de interesse universitário luso-brasileiro, que nos levará a dar continuidade ao estudo das ideias e princípios da obra de João dos Santos e de sua aplicação, numa realidade cultural que – embora sendo distinta – pode acolher canais de entendimento científico, através do nosso passado e língua comum, bem como da abrangência das elaborações santianas.

A aproximação aqui exposta estabeleceu-se através do contato entre o Prof. Pedro Parrot Morato da UL e a Profa. Patrícia Helena Carvalho Holanda da UFC, por intermédio das investigadoras Maria Juraci Maia Cavalcante (UFC) – Pós Doutorada (2006-7) e Investigadora visitante (2009-10) da Universidade de Lisboa e a Doutora Maria Eugénia Carvalho e Branco, biógrafa especialista na obra de João dos Santos.  O referido contato propiciou, em 2014, a iniciativa de elaboração de um projeto de Estágio Pós-Doutoral da Profa. Dra. Patrícia Helena, sob a supervisão do Prof. Dr. Pedro Morato.

A pesquisadora, Profa. Dra. Patrícia Holanda, presente em Lisboa, no período de 19 de janeiro a 13 de fevereiro de 2015, deu início à execução do seu plano de estudo, intitulado, Laços familiares, constituição de sujeitos, políticas de educação e saúde em espaços escolares e sociais, segundo a abordagem de João dos Santos – um estudo em perspectiva comparada – Brasil e Portugal.

No citado período, a pesquisadora brasileira entrevistou algumas das muitas personalidades ligadas a João dos Santos, nomeadamente, os filhos dele – Paula Grijó dos Santos Lobo, (Psicopedagoga, Técnica de Saúde Mental infantil e Juvenil) e Luis Grijó dos Santos (Engenheiro) – e alguns colegas e discípulos de João dos Santos, profissionais da área de Educação e da Pedagogia, da Psicologia e da Medicina que, tendo estado e permanecendo com o tempo, diretamente ligados à obra de João dos Santos, revelaram total e pronta disponibilidade para colaborar nesta investigação – atitude exemplar de disposição colaborativa, que muito nos animou e por isso,  a todos, o nosso mais sincero e fraterno agradecimento.

Na instituição portuguesa, “Centro Doutor João dos Santos – Casa da Praia”, destacamos as relevantes contribuições, por meio de entrevistas concedidas por Pedro Strecht (Pedopsiquiatra, Presidente atual do Centro Doutor João dos Santos – Casa da Praia) e Clara Castilho (Psicóloga e sua Vice-Presidente); em seguida, por Fernanda Ramos (Professora Especializada e Vogal da Direcção) e Lourdes Dores (Educadora Especializada e Presidente da Assembleia Geral).

Em especial, a Maria Eugénia Carvalho e Branco (Investigadora, Biógrafa de João dos Santos e autora de referência da sua Obra e Pensamento em Portugal) e Sérgio Niza (Professor Universitário,  Pedagogo, Presidente do Movimento da Escola Moderna -MEM); tal como Emílio-Eduardo Guerra Salgueiro (Psiquiatra, Psicanalista, Professor Universitário de Medicina e Psicologia, Ex-Presidente do Centro Doutor João dos Santos-Casa da Praia, de 1992 a 2000), ambos colaboradores e amigos de João dos Santos; e ainda, Maria José Vidigal (Psiquiatra, Psicanalista), colaboradora e amiga de João dos Santos.

No contexto da Universidade de Lisboa, devemos registar os nossos agradecimentos à partilha de saberes estabelecida com Ana Rodrigues (Professora de Psicopedagogia da Faculdade de Motricidade Humana), que aborda, ao nível do ensino superior, graduado e pós-graduado, o conceito e método de intervenção da Pedagogia Terapêutica de João dos Santos.

Além das entrevistas enunciadas, agradecemos a oportunidade de estágio no “Centro Doutor João dos Santos – Casa da Praia” e a participação nas sessões de apresentação de casos, com supervisão clínica, no âmbito da Saúde Mental Infantil em contexto da Intervenção Pedagógico-Terapêutica, e a recolha de dados, junto à Equipa do Colégio Édouard Claparède (1º Centro de Psicopedagogia, fundado por João dos Santos, na década de 60 do séc. XX).

No itinerário de imersão aos contextos, e nos contatos com profissionais e instituições ligadas às ideias, concepções e realizações de João dos Santos, visitamos, ainda, locais de referência e reconhecimento público do legado de sua obra na cidade de Lisboa, como: Jardim das Amoreiras e ex- Centro de Saúde Mental Infantil e Juvenil de Lisboa.

A institucionalização da parceria entre pesquisadores ligados pelas ideias de João dos Santos, também se fez na participação da Profa. Patrícia Holanda, por meio de aula, a convite do Prof. Pedro Morato, no “Seminário sobre Psicopedagogia e Ética”, no âmbito da disciplina de Reabilitação e Ética para alunos finalistas do curso de Reabilitação Psicomotora da Faculdade de Motricidade Humana.

É notável o desenho do estabelecimento de um princípio de cooperação entre a Universidade Federal do Ceará e da Universidade de Lisboa, através das suas Faculdades de Educação/UFC e da Faculdade de Motricidade Humana/UL), com repercussões positivas para a aproximação de diferentes áreas do conhecimento (Educação, Medicina, Psicologia, História, Direito) diante da importância atribuida à investigação sobre a Obra e o Pensamento de João dos Santos, e a sua atualidade.

Esperamos com muito entusiasmo que a Professora Patrícia Holanda, em nome da Universidade do Ceará-Brasil e nós, pela Universidade Lisboa, consigamos honrar o fortalecimento de laços institucionais e académicos para o estudo da obra de João dos Santos, ao nível da formação dos alunos das duas respectivas Universidades. Na expectativa de, que, por certo, possamos trazer significativa contribuição para a compreensão do desenvolvimento humano, em suas bases familiares e de constituição de sujeitos, com viés e desdobramentos para as políticas de educação e saúde da infância, em espaços escolares e sociais de Portugal e do Brasil.

Lisboa e Fortaleza, 1 de Março de 2015.

Pedro Parrot Morato e Patrícia Helena Carvalho Holanda.


SergioNiza MEDIUMO Senado da Universidade de Lisboa decidiu atribuir o título de Doutor Honoris Causa ao Pedagogo Sérgio Niza
A Cerimónia de Investidura do título Doutor Honoris Causa terá lugar no próximo dia 23 de Abril 2015, com início às 18.00 horas, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa.

Para aceder a mais informações no site da Associação de História da Educação de Portugal clique nesta ligação.

Para aceder a mais informações no site do Núcleo Regional do MEM – Seixal Almada clique nesta ligação.


Joao-dos-Santos-Saude-mental-infantil-em-portugal-HEADINGApresentação do livro de Maria Eugénia Carvalho e Branco pelo Professor Doutor António Coimbra de Matos e pelo Dr Pedro Strecht
30 de Janeiro de 2014

Agradeço à Professora Doutora Maria Eugénia Carvalho e Branco o honroso convite para participar na apresentação do seu livro João dos Santos. A Saúde Mental Infantil em Portugal. Uma Revolução de Futuro.
        É uma honra e um prazer. Duplos:
        1. Pela elegância da forma e riqueza do conteúdo. Como leitor, primeiro foi o espanto, logo de seguida, o conhecimento – no lúcido dizer do filósofo estagirita; mas sobretudo, o que eu senti foi encantamento face à empolgante transmissão do que foi o Homem e do que é a Obra que nos legou. Bem haja, Amiga Maria Eugénia, pelo seu bravo, prenhe de informação e empenhado trabalho para a História da Educação em Portugal na segunda metade do século XX, com o merecedor realce da figura ímpar de João dos Santos;
        2. Pelo refrescamento da nossa memória afectiva e do saber recebido no convívio com o Doutor João dos Santos.
        A autora cunha o conceito de “Paradigma da Conectividade” para sintetizar a teoria e a prática da investigação e acção de João dos Santos no âmbito da Saúde Mental e Educação. É um retrato justo e certeiro do espírito e do rosto da mudança introduzida na praxis pedopsiquiátrica.
        Efectivamente, da espiral do amadurecimento ao impacto do ambiente, da adaptação ao meio à transformação do meio, da saúde à educação, da democracia ao respeito pela vontade da criança, da solidariedade social e fraternidade universal ao amor parental e laços familiares, do fascínio pelo estranho (xenofilia) ao abraço do próximo (filocreia – investimento na relação íntima), em suma, da res publica à res privata, tudo se liga pela rede dos afectos, dos mais viscerais (the gut feeling, o sentimento que vem das tripas) aos mais sublimes (a emoção amorosa e estética, que brota da alma).
        Afecto é, definitivamente, a palavra de eleição – ao lembrar João dos Santos, ao comungar com Maria Eugénia e todos os presentes em admiração pela sua vida e obra.
        Gratos a Maria Eugénia Carvalho e Branco; irmanados na esperança de sermos tão humanos como João dos Santos o foi – Um Homem, diria a célebre jornalista Oriana Falacci.
        E tudo isto assim sendo, a “revolução santiana”, que Maria Eugénia Carvalho e Branco revela e releva, tem e terá futuro.

António Coimbra de Matos
30 de Janeiro 2014

e nas palavras do Dr Pedro Strecht
30 de Janeiro de 2014

Com o livro da Maria Eugénia fecha-se com chave de ouro o ano de 2013, centenário do nascimento de João dos Santos, ano não só de recordação mas também de actualização e impulso da sua vida e obra.” Falando do período em que João dos Santos foi proibido de trabalhar em Portugal e foi para Paris (1946), fez a ponte com a vida cultural da época, evocando Paul Éluard. Falando dos anos difíceis que atravessamos, terminou: “Cada esforço (que tantas vezes sentimos em vão) traz um pouco mais de riqueza a um tesouro que em nada o mundo poderá negar. Essa foi a luz de João dos Santos. Essa é a luz da escrita e obra (e da vida) de Maria Eugénia). Ou, usando as mesmas palavras finais do poema de Paul Éluard: ” Do meu coração nada afastei; antes o tomei este e mais outro./ Por amor, criei tudo o que é real e imaginário/Dei razão de ser, dei forma, dei calor/ Dei imortal formação aquele que me ilumina”. Maria Eugénia, obrigada pela sua luz, pelo seu calor”.

[Para mais informações sobre o este livro clique nesta ligação]

 


Visao MEDIUMRevista Visão

A revista Visão publicou na sua edição de 12 a 18 de Dezembro de 2013 (nº 1084) um artigo sobre João dos Santos, “A criança e o mestre”, subscrita pela jornalista e psicóloga Clara Soares. Clique aqui ou na imagem para ler o artigo completo.

A criança e o mestre - artigo subscrito pela jornalista e psicóloga Clara Soares - revista Visao No 1084 de 12 a 18 de Dezembro de 2013 - 1
 


 XV Colóquio da Revista Portuguesa de Pedopsiquiatria
Instituto Franco Português
15 Novembro de 2013

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 EDITORIAL da Revista Portuguesa de Pedopsiquiatria – No 35 – Volume II – Julho/Dezembro 2013

EDITORIAL da Revista Portuguesa de Pedopsiquiatria - 2013 - No 35 Page 1

Clique aqui para ler o Editorial completo.


Boletim do IAC - 109 - Setembro de 2013 Page 1

 


 

ESES 8 e 9 de Novembro 2013 - AF MEDIUMEscola Superior de Educação de Santarém

As Jornadas da Prática Profissional da ESES – “Pensar em Educação com João dos Santos” decorreram muitíssimo bem, com muito entusiasmo, envolvendo alunos e professores, enlaçando pensamento e afecto em todos os presentes e em todos os seus momentos, das conferências aos painéis, dos ateliers para adultos aos ateliers com crianças, dos filmes à escuta dos Dias da Rádio – em que pudemos recordar ( e alguns, ouvir pela primeira vez) essas conversas tão especiais. As Jornadas foram ainda transmitidas em directo por stream, na net, o que permitiu que em outros lugares ( nomeadamente no estrangeiro) fossem acompanhadas. Estamos muito satisfeitos. Os ecos do Encontro têm sido muito positivos Acreditamos que o pensamento de João dos Santos transitará em toda a sua profundidade e actualidade para o futuro.
Começaremos agora a preparar a edição de um Livro que reúna todas as comunicações e trabalhos apresentados.

 

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CM de Odivelas MEDIUM“Exposição e Tertúlia João dos Santos

No ano em que se celebra o Centenário do Nascimento de João dos Santos, a Câmara Municipal de Odivelas associou-se a estas comemorações através da uma Exposição sobre a vida e obra do homenageado inaugurada a dia 23 de Outubro e ainda uma Tertúlia realizada no mesmo dia às 17,30 no Centro de Exposições de Odivelas com o patrocínio da Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e Adolescência.

João dos Santos, foi pioneiro na área da psiquiatra infantil, tendo debruçado o seu trabalho sobre a proteção materno-infantil e a prevenção e intervenção em saúde mental infantil, deixou-nos uma obra que ainda hoje ajuda a compreender as causas mais profundas do sofrimento psíquico e das patologias da criança, do adolescente e do jovem.
Ainda hoje João dos Santos é tido como uma referência para os técnicos que cuidam, tratam e trabalham com crianças.

Na Tertúlia que se pretendeu informal estiveram presentes convidados que apresentaram de forma sucinta a vida e a obra do homenageado e o testemunho de familiares. Foi ainda um momento de partilha de práticas entre o público e os convidados, já que muitos educadores/professores o tiveram como referência enquanto estudantes e continuam a aplicar os seus ensinamentos enquanto profissionais.
Como convidados da tertúlia estiveram presentes Cláudia Cabido e Rita Rodrigues (pedopsiquiatras da Clinica da Encarnação/Serviço de Pedopsiquiatria do Hospital D. Estefânia), Manuela Cruz (professora do ensino especial) e a Dra. Paula Lobo (filha do Dr. João dos Santos).

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Odivelas 1

 

 


 

Joao-dos-Santos-Saude-mental-infantil-em-portugal-CAPA MEDIUMA Saúde Mental Infantil em Portugal – Uma Revolução de Futuro” de Maria Eugénia Carvalho e Branco

O lançamento da nova obra de Maria Eugénia Carvalho e Branco ““A Saúde Mental Infantil em Portugal – Uma Revolução de Futuro”” será realizado no dia 8 de Novembro de 2013 pelas 19h30 inserido nas XXI Jornadas da Prática Profissional 2013/2014, da Escola Superior de Educação de Santarém.
[Para mais informações clique nesta ligação]

 

 


SOS Voz Amiga MEDIUMA Liga Portuguesa de Higiene Mental

A Liga Portuguesa de Higiene Mental – Associação que mantem como sua principal actividade o funcionamento da linha telefónica de apoio emocional e de Prevenção do Suicídio O SOS VOZ AMIGA – pretende, com o envio desta notícia, associar-se às Comemorações do Centenário de João dos Santos, através da transcrição parcial do Editorial do seu Boletim de Maio 2013, em que são realçadas as valências de uma das Instituições Associativas criadas por João dos Santos: o IAC e posteriormente o SOS Criança.

A parte final desse Boletim, como já é nosso hábito, divulga mais uma linha congénere à nossa – o SOS Criança. Esta linha foi criada há 20 anos atrás pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC). Serão aqui inseridos dois textos do Site desse relevante Instituto: um sobre a História da Linha e outro sobre a Cooperação -estabelecimento de redes e parcerias. Este último texto é por nós aqui transcrito pela relevância dada ao tema referido, que é particularmente realçado no Plano Nacional de Prevenção do Suicídio-P.N.P.S (plano que considera as linhas como suporte comunitário (pág:5) no que se refere às Prioridades da alínea h)-…. a de criar sinergias e complementaridade entre as linhas existentes.

Outra das razões da publicação alargada destes textos do Instituto de Apoio à Criança e em especial os referentes ao SOS Criança, estão ligadas ao desejo, de através deles, nos associarmos às Comemorações do Centenário de João dos Santos. Lembramos muito em especial que O IAC tem trabalhado, desde há 24 anos, em parceria com várias instituições, inspirando-se na filosofia do seu principal mentor, João dos Santos: Este pedagogo, pedopsiquiatra e psicanalista acentuava sempre: “uma política para a infância é obra de toda a comunidade”.

Assim transcreve-se do site do IAC o Testemunho de Emílio Salgueiro:

Em 1982, João dos Santos publicou um livro que intitulou “A caminho de uma utopia…Um instituto da criança”. Como o próprio João dos Santos conta nesse livro, a ideia de um Instituto da Criança já datava de 1974, ano de todas as esperanças (….) Em 1983 nasceu o Instituto da Criança, em que se intercalou a palavra ‘apoio’(…) De qualquer modo, o impacto que o Instituto de Apoio à Criança adquiriu na sociedade portuguesa talvez ultrapasse o que teria conseguido se a designação fosse só a de Instituto da Criança. O grupo dos sócios fundadores – onde figurava, em primeiro plano, como não podia deixar de ser, o próprio João dos Santos – integrava um grupo de personalidades de grande qualidade ética e técnica.”

Para visualizar o Boletim referido clique na seguinte ligação boletim de Junho 2013 de SOS Voz Amiga.

Maria da Graça Barahona Fernandes
Presidente da Liga portuguesa de Higiene Mental

Liga Portuguesa de Higiene Mental.

Av. Júlio Diniz, 23 – 1º. Esq.

1050 – 130 Lisboa

 


  

Vida Pensamento e Obra de Joao dos Santos MEDIUM“Vida, Pensamento e Obra de João dos Santos” de Maria Eugénia Carvalho e Branco

A 2ª Edição (Revista) do livro “Vida, Pensamento e Obra de João dos Santos” de Maria Eugénia Carvalho e Branco acaba de ser publicada pela editora Coisas de Ler. [Para mais informações clique nesta ligação]
 

 


JL VERYSMALLJornal de Letras, Artes e Ideias

O JL/Educação  publicou na sua edição de 18 de Setembro de 2013 (número 1121) um texto do Professor Doutor António Sampaio da Nóvoa intitulado “João dos Santos, a forca das perguntas”.


appia_logoAS MÚLTIPLAS INTERFACES NA SAÚDE MENTAL INFANTOJUVENIL

XXIV Encontro Nacional de Psiquiatria da Infância e da Adolescência
Conforme programado e divulgado realizou-se nos dias 15 a 17 de Maio de 2013 o XXIV Encontro Nacional da APPIA no Centro Hospitalar Leiria – Pombal.
Durante o Encontro teve lugar a inauguração da exposição “ Vida e Obra de João dos Santos”, patrocinada pela APPIA.
A entrega dos prémios “ João dos Santos” foi feita pela sua filha Paula Santos Lobo.

APPIA 1 - 15 a 17 de Maio de 2013APPIA 3 - 15 a 17 de Maio de 2013

APPIA 2 - 15 a 17 de Maio de 2013

APPIA 4 - 15 a 17 de Maio de 2013

 


PÚBLICO – Edição Lisboa Domingo 2 de Junho de 2013

A Revista 2 do jornal PÚBLICO publicou na sua edição de Domingo 2 de Junho de 2013 um artigo sobre João dos Santos, subscrito pela jornalista Clara Viana intitulado “Meta os Papéis no Bolso, Estamos a Falar de Uma Criança”.


JL MEDIUMJornal de Letras, Artes e Ideias

O JL publicou na sua edição de 29 de Maio de 2013 (número 1113) uma evocação do centenário de João dos Santos, subscrita pela jornalista Francisca Cunha Rêgo intitulada “Cem anos de um mestre”. Incluído um extracto do livro “Prevenir a doença e promover a saúde” que será lançado no próximo dia 4 de Junho de 2013.


Recordando João dos Santos

SPP logotipo recebido de TSPalestra de homenagem a João dos Santos
Palestra de homenagem a João dos Santos proferida pelo Dr. João Seabra Diniz, Presidente da Sociedade Portuguesa de Psicanálise no XXIV Colóquio da Sociedade Portuguesa de Psicanálise no dia 18 de Maio de 2013.

Joao S Diniz

evocação de J. Santos

 


PrintJoão-dos-santos-3-volume-CapaLançamento do livro “Prevenir a doença e promover a saúde” de João dos Santos

O lançamento do livro “Prevenir a doença e promover a saúde” de João dos Santos (Ed. Póstuma) publicado pela editora Coisas de Ler, realiza-se no próximo dia 4 de Junho às 18h45, na Sala do Arquivo dos Paços do Concelho em Lisboa, com intervenções do Professor Doutor Carlos Neto, Presidente da Faculdade de Motricidade Humana e do escritor Mário de Carvalho.


Selo JSantos NORMAL SMALLEmissão «Vultos da História e da Cultura»

Reprodução autorizada pelos CTT Correios de Portugal

Os CTT Correios de Portugal homenageiam João dos Santos com um selo comemorativo do Centenário do seu nascimento. A emissão filatélica “Vultos da História e da Cultura” 2013 inclui, para além de João dos Santos, o ator João Villaret, a escritora Ilse Losa, o engenheiro civil Edgar Cardoso e o jornalista Raúl Rêgo.
A cerimónia de apresentação pública do selo do psiquiatra e psicanalista João dos Santos, realiza-se no próximo dia 4 de Junho às 18h45, na Sala do Arquivo dos Paços do Concelho em Lisboa.


Atalaya VERYSMALL Pestalozzi VERYSMALLVocação para Amar – Reflexão, (Re)Encontros e Afectos em Saúde Mental Infantil – Ontem e Hoje

Conforme programado e divulgado realizou-se no dia 20 de Março na Biblioteca Nacional um encontro integrado nas comemorações do Centenário de João dos Santos.
Organizada pelo Jardim Infantil Pestalozzi / Fundação Lucinda Atalaya esta sessão sobre um dos seus inspiradores reuniu educadores e professores das escolas convidadas e outros técnicos de saúde e de educação.
A comunicação “Centenário do Nascimento de João dos Santos – Vocação para Amar – Reflexão, (Re)Encontros e Afectos em Saúde Mental Infantil – Ontem e Hoje” de Cláudia Martins Cabido, Rebeca Monte Alto e Rita Grácio Rodrigues foi muito rica não só pela investigação apresentada, como também pelo rigor e qualidade relacional das autoras.
No final estabeleceu-se um animado debate que envolveu os presentes numa atitude de reflexão e de desejo de encontrar formas de atuar em saúde e educação de acordo com o pensamento de João dos Santos. Homem do seu tempo que se projetou no futuro e que hoje, no difícil presente, temos de (re)encontrar.

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  • 22 – 24 de Setembro de 2017

     

    Histórias de Corpo – Religião – Educação

    O XVI CONGRESSO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DO CEARÁ vai decorrer de 22 a 24 de Setembro de 2017, em Icó, Ceará, Brasil.
    Para aceder ao site do evento e à página da programação, por favor siga as seguintes ligações:

    Site do evento

    Programação

     

     
     
  • Cecília Menano, João dos Santos e Maria Emília Brederode Santos em conversa

    Clique na seguinte ligação para para visualizar este vídeo do Instituto de Tecnologia Educativa – RTP (1975) A Escolinha de Arte de Cecília Menano – com Cecília Menano, João dos Santos e Maria Emília Brederode Santos, que foi muito generosamente disponibilizado pelo Dr Daniel Sasportes (19 minutos). [Clique nesta ligação]

     


  • Programa IFCE no Ar, Radio Universitária

    Entrevista sobre o andamento do curso à distância “Introdução ao Pensamento de João dos Santos”

    Entrevista gravada com a coordenadora do curso “Introdução ao Pensamento de João dos Santos”, Professora Patrícia Holanda da Linha de História da Educação Comparada da UFC (Universidade Federal do Ceará), com o Doutor Luís Grijó dos Santos (filho de João dos Santos), e a coordenadora pedagógica do curso Professora Ana Cláudia Uchôa Araújo da Directoria da Educação à Distancia do IFCE (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará). A entrevista foi realizada pelo jornalista Hugo Bispo do Programa IFCE no Ar em 3 de Novembro de 2016.

    Para ouvir a gravação desta entrevista clique nesta ligação.

     


     

  • “Histórias de mulheres” é finalista da 58º edição do Prêmio Jabuti

     

    O livro "Histórias de mulheres: amor, violência e educação", organizado por Maria Juraci Maia Cavalcante, Patrícia Helena Carvalho Holanda e Zuleide Fernandes de Queiroz, é finalista na categoria "Educação e Pedagogia" da 58ª edição do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, considerado o mais importante prêmio do livro brasileiro.

    A obra, lançada em 2015 pelas Edições UFC, conta, entre outros, com artigos da Professora Patrícia Helena Carvalho Holanda e do Professor Pedro Parrot Morato “A Mulher e a Família à Luz do Referencial Santiano na Perspectiva Comparada Brasil-Portugal”, e da Dra Clara Castilho “A Mãe e a Escola como Promotores de Inclusão Social das Crianças com Necessidades Especiais na Abordagem de João dos Santos”.

    Maria Juraci Maia Cavalcante e Patrícia Helena Carvalho Holanda são professoras da Faculdade de Educação da UFC. A obra pode ser adquirida na Livraria da Universidade Federal do Ceará (área 1 do Centro de Humanidades – Av. da Universidade, 2683, Benfica).

    Para mais informações clique nesta ligação.

     


     

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