Apresentação do livro de Maria Eugénia Carvalho e Branco pelo Professor Doutor António Coimbra de Matos e pelo Dr Pedro Strecht


Apresentação do livro de Maria Eugénia Carvalho e Branco pelo Professor Doutor António Coimbra de Matos e pelo Dr Pedro Strecht
 30 de Janeiro de 2014

Agradeço à Professora Doutora Maria Eugénia Carvalho e Branco o honroso convite para participar na apresentação do seu livro João dos Santos. A Saúde Mental Infantil em Portugal. Uma Revolução de Futuro.         É uma honra e um prazer. Duplos:         1. Pela elegância da forma e riqueza do conteúdo. Como leitor, primeiro foi o espanto, logo de seguida, o conhecimento – no lúcido dizer do filósofo estagirita; mas sobretudo, o que eu senti foi encantamento face à empolgante transmissão do que foi o Homem e do que é a Obra que nos legou. Bem haja, Amiga Maria Eugénia, pelo seu bravo, prenhe de informação e empenhado trabalho para a História da Educação em Portugal na segunda metade do século XX, com o merecedor realce da figura ímpar de João dos Santos;         2. Pelo refrescamento da nossa memória afectiva e do saber recebido no convívio com o Doutor João dos Santos.         A autora cunha o conceito de “Paradigma da Conectividade” para sintetizar a teoria e a prática da investigação e acção de João dos Santos no âmbito da Saúde Mental e Educação. É um retrato justo e certeiro do espírito e do rosto da mudança introduzida na praxis pedopsiquiátrica.         Efectivamente, da espiral do amadurecimento ao impacto do ambiente, da adaptação ao meio à transformação do meio, da saúde à educação, da democracia ao respeito pela vontade da criança, da solidariedade social e fraternidade universal ao amor parental e laços familiares, do fascínio pelo estranho (xenofilia) ao abraço do próximo (filocreia – investimento na relação íntima), em suma, da res publica à res privata, tudo se liga pela rede dos afectos, dos mais viscerais (the gut feeling, o sentimento que vem das tripas) aos mais sublimes (a emoção amorosa e estética, que brota da alma).         Afecto é, definitivamente, a palavra de eleição – ao lembrar João dos Santos, ao comungar com Maria Eugénia e todos os presentes em admiração pela sua vida e obra.         Gratos a Maria Eugénia Carvalho e Branco; irmanados na esperança de sermos tão humanos como João dos Santos o foi – Um Homem, diria a célebre jornalista Oriana Falacci.         E tudo isto assim sendo, a “revolução santiana”, que Maria Eugénia Carvalho e Branco revela e releva, tem e terá futuro.

António Coimbra de Matos 30 de Janeiro 2014

e nas palavras do Dr Pedro Strecht 30 de Janeiro de 2014 Com o livro da Maria Eugénia fecha-se com chave de ouro o ano de 2013, centenário do nascimento de João dos Santos, ano não só de recordação mas também de actualização e impulso da sua vida e obra.” Falando do período em que João dos Santos foi proibido de trabalhar em Portugal e foi para Paris (1946), fez a ponte com a vida cultural da época, evocando Paul Éluard. Falando dos anos difíceis que atravessamos, terminou: “Cada esforço (que tantas vezes sentimos em vão) traz um pouco mais de riqueza a um tesouro que em nada o mundo poderá negar. Essa foi a luz de João dos Santos. Essa é a luz da escrita e obra (e da vida) de Maria Eugénia). Ou, usando as mesmas palavras finais do poema de Paul Éluard: ” Do meu coração nada afastei; antes o tomei este e mais outro./ Por amor, criei tudo o que é real e imaginário/Dei razão de ser, dei forma, dei calor/ Dei imortal formação aquele que me ilumina”. Maria Eugénia, obrigada pela sua luz, pelo seu calor”.

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