A Neurose de Angústia

A Neurose de Angustia - Joao dos Santos - COVERTítulo – A Neurose de Angústia Autor – João dos Santos Edição eBook para Kindle, Junho de 2015 ISBN 978-0-9932730-0-1 Idioma – Português

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Pude perceber através do trabalho de João dos Santos não só a qualidade destrutiva da pele mental, presente na emoção transbordante da neurose de angústia, como também o fundamento metapsicológico do pânico e da sua angústia de morte. O leitor, tal como eu, irá ficar impressionado pela clareza dos exemplos clínicos, e, sobretudo, pela função calmante diríamos hoje transformadora, das ansiedades desruptivas da função continente do self, pela presença empática do analista que foi João dos Santos (p. 18)

O Dr. Carlos Amaral Dias apreende muito bem o espírito santiano, ao estudar a neurose de angústia, vista como um tipo particular de psiconeurose.  Neste texto, João dos Santos vai pontuando a teoria psicanalítica e os casos clínicos apresentados por ele, no decorrer da obra, onde fica patente a sua originalidade de pensar, ainda que comece sua obra, sob a influência das ideias de Freud [1]. Reitera seu interesse pelo tema em foco, no início do livro, afirmando que, “mais de quarenta anos passaram desde o início da minha carreira e é talvez sobre o tema neurose de angústia que acumulei mais dados clínicos.” (p.19). Nos primeiros capítulos, ele situa o pensamento freudiano, destacando que a neurose provoca desordem no comportamento. Ele considera que esta não é constitucional, afirma que o sujeito está consciente do seu estado e deseja se curar. Salienta apenas que a sua manifestação ocorre, através de atitudes e afetos que contrariam a lógica ou a norma. Ele sabe que para Freud, todos esses sintomas são provenientes de complexos sexuais que remontam à infância. Nesse sentido, tanto para Freud, quanto para João dos Santos, as neuroses são conflitos intrapsíquicos e estão enraizadas na história infantil do sujeito, assertiva que pode ser observada em várias passagens, da obra, dentre as quais, destaco uma passagem do capitulo 5.

…nesses sujeitos susceptíveis de serem atingidos por neurose de angústia, existe uma depressão latente, consequência de certos conflitos não ultrapassados, que produzem um bloqueio da tensão conflitual de onde resulta, de acordo com as primeiras hipóteses de Freud, uma acumulação de energia libidinal, que associada a diversos fatores, faz surgir a crise de angústia. (…) Assim, creio que há uma estrutura favorável ao desencadeamento desta neurose; um caráter neurótico ligado a uma neurose da criança não resolvida. (p.78)

Ao fazer isso, ele evidencia o sentido dos sintomas dos seus pacientes, perante a Psicanálise. Esta representa uma espécie de campo de sua movimentação intelectual sem apegar-se, de modo restrito, à conceituação do próprio Freud. Isso pode ser comprovado, quando Santos defende, no capítulo VII, intitulado, Neurose de Angústia como este distúrbio se manifesta na criança, nos seguintes termos

Da mesma forma que Lebovici afirmou que a <> (1980), poder-se-ia dizer que a neurose da criança é a neurose de angústia. Isto significa que, na criança, a angústia livre é muitas vezes observável. Gostaria, no entanto, de acrescentar que os quadros clínicos observados na criança (aliás, muitos dos sintomas de crise de desenvolvimento são também dominados pela angústia) são observados em crianças precoces, tanto do ponto de vista afetivo, quanto intelectual. (p. 91)

Nesse sentido, ao analisar a neurose de angústia, ele toma a obra de Freud como ponto de partida, ao aceitar a definição de que a angústia, em geral, manifesta-se como expectativa inquieta e opressiva, manifestação do receio de que alguma coisa inesperada aconteça; numa tensão difusa, que gera o medo, o qual se configura, muitas vezes, sem nome. Com base neste modelo analítico, João dos Santos, demonstra aos seus leitores, como ele próprio desenvolve este conceito na sua clínica, derivando-o e aplicando-o, conforme a especificidade dos casos que acompanhou, o que pode ser, magistralmente, observado, no caso de João, um menino de 9 anos, muito evoluído na escola e, culturalmente, conforme podemos ver a seguir:

Uma noite, começa a queixar-se de perturbações respiratórias, estando a sua respiração objetivamente perturbada e manifestando outros . Quando alguns dias depois, os seus pais me levaram o João contaram-me que quatro ou cinco dias antes da crise o rapaz e a mãe ficaram à espera que o pai, um médico, voltasse de uma chamada noturna de emergência. O pai, então, contou que tinha sido alguém que, por acidente, estava a asfixiar devido a um corpo estranho na garganta. Como nos adultos, há sempre um acontecimento sugestivo na origem da perturbação. Seguindo-se à primeira crise, a criança entrou estado de angústia. O tratamento mostrou-me que a criança desde há muito, estava impressionada com o que descobrira sobre as relações sexuais dos pais; que estava muito ligado à mãe e que tentava, sem sucesso, seduzir algumas colegas na escola (p.91-92)

O caso de João evidencia um aspecto peculiar de suas manifestações psíquicas, destacado por Freud e João dos Santos: a desproporção entre a intensidade da angústia e seu objeto. Pode-se observar nesse caso, que a atitude de expectativa invadiu a criança, dificultando a ela o dedicar-se às suas ocupações. Isso pode ser comprovado na descrição de João dos Santos sobre o caso em foco, ao referir-se à fobia escolar desenvolvida pela criança no decorrer do tratamento, onde foi feita uma análise dos seus sonhos e pesadelos. Observa-se, ainda, que ela a “neurose de angústia” vem acompanhada de um quadro de desorientação e de sentimentos de impotência. Desse modo, João dos Santos vai pontuando o seu interesse pela criança, mostrando-se fiel ao espirito freudiano de que a função da análise de criança seria menos de analisar e mais de favorecer o autocontrole do desenvolvimento psíquico de crianças pequenas, baseado no que o tratamento de adultos lhe ensinara. João dos Santos deixa claro o objeto de estudo da sua obra – a psicopatologia ou o comportamento anormal – tema em parte esquecido pelas demais escolas de pensamento psicológico, para o qual ele adota como principal estratégia a observação clínica. Vale destacar que a posição empática assumida por ele em relação aos seus pacientes denota o seu profundo conhecimento do sofrimento humano, ao ter conhecimento que os neuróticos, muitas vezes, se encontravam fracassados em duas frentes: 1. A frente libidinal – quando a descarga do instinto sexual está entravada; 2. A frente da vida social – na qual o sujeito participa de forma restritiva, deformada dolorosa. Ele percebia, claramente, o quanto o neurótico vive, muitas vezes, mal, esbarrando em muitas limitações à expressão das suas possibilidades; sentindo-se bloqueado, parcialmente, na expressão da sua energia. Chego ao fim desta apresentação, anunciando o meu propósito, assim como do grupo de pesquisa que integro, de favorecer a divulgação da obra santiana no Brasil, fazendo um convite para todos que queiram usufruir do inestimável contributo de João dos Santos, no âmbito da Psicanálise, inclusive, em sua interface com a área de Educação, já que para ele, o desenvolvimento infantil está a cargo de inúmeras instituições, dentre as quais, figuram a família e a escola, espaços sociais onde emerge a criança com distúrbios de natureza afetiva e cognitiva. Por tudo isso, considero que a obra de João dos Santos nos coloca diante de sua excepcional personalidade, pelo menos suficientemente original, sensível e radiante, por adotar e promover uma atitude de vida, que abriga um psicanalista disposto a romper com os excessos da Psicanálise, de um certo imperialismo da psiquiatra e dos inconvenientes de uma educação impessoal, desumanizada e burocrática.

[1] “Freud estudou a angústia em dois momentos diferentes de sua obra. Na primeira formulação, a angústia seria consequente a repressão, o que provocaria uma libido acumulada que funcionaria de uma maneira tóxica no organismo. A partir de uma monografia, Inibições, sintomas e angústia (1926) ele conceituou de forma inversa, ou seja, é a repressão  que se processa  como uma forma de defesa contra a ameaça de irrupção da angústia, mais especificamente, a angústia de castração.” (Zimerman, 1999, p. 198)

Patrícia Helena Carvalho Holanda 3 de Junho de 2015

Fotos lançamento 8 eBook


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    Cecília Menano, João dos Santos e Maria Emília Brederode Santos em conversa

    Clique na seguinte ligação para para visualizar este vídeo do Instituto de Tecnologia Educativa – RTP (1975) A Escolinha de Arte de Cecília Menano – com Cecília Menano, João dos Santos e Maria Emília Brederode Santos, que foi muito generosamente disponibilizado pelo Dr Daniel Sasportes (19 minutos). [Clique nesta ligação]

     


  • Programa IFCE no Ar, Radio Universitária

    Entrevista sobre o andamento do curso à distância “Introdução ao Pensamento de João dos Santos”

    Entrevista gravada com a coordenadora do curso “Introdução ao Pensamento de João dos Santos”, Professora Patrícia Holanda da Linha de História da Educação Comparada da UFC (Universidade Federal do Ceará), com o Doutor Luís Grijó dos Santos (filho de João dos Santos), e a coordenadora pedagógica do curso Professora Ana Cláudia Uchôa Araújo da Directoria da Educação à Distancia do IFCE (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará). A entrevista foi realizada pelo jornalista Hugo Bispo do Programa IFCE no Ar em 3 de Novembro de 2016.

    Para ouvir a gravação desta entrevista clique nesta ligação.

     


     

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